“The older I grow, the more I distrust the familiar doctrine that age brings wisdom.” - H.L. Mencken

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Jun 15

Não é cansaço. É mais que isso. E não é exaustão. Fosse, e umas noites bem dormidas após dias calminhos resolveriam a questão. Não é cansaço nem exaustão, é mais que isso.
É a sensação de estarmos moídos, gastos, agastados. De cada vez sobrar menos de nós depois da passagem dos outros ou das situações. É um trilho que vamos deixando para trás a marcar os sítios, e pessoas, onde mais um pouco de nós ficou.
Vamos ficando cada vez mais leves, cada vez menos capazes de enfrentar os elementos de pés bem assentes no chão. Para não levantarmos voo com a primeira brisa mais forte que nos apanhe, usamos refúgios (e subterfúgios) onde ficamos muito quietinhos, esperando que tudo volte a amainar.
Não me tirem mais um pedaço de mim, pedimos. Não me façam desaparecer. O que sobra requer sempre tanto trabalho e esforço para cuidar.
Vamos sobrando em forma de essência de nós, sem os adornos que vamos espalhando por aí, que nos vão arrancando. Chega-se a uma altura em que somos apenas o que somos, sem desculpas, sem explicações, sem vergonha, sem medo. O processo dói e faz doer, é necessário que doa para que, no fim, providos apenas com o que somos e não com o que pensamos que somos (ou o que os outros pensam que somos), possamos, finalmente começar a apenas ser, deixando o vou sendo para trás.

publicado por Sónia às 13:15

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