“The older I grow, the more I distrust the familiar doctrine that age brings wisdom.” - H.L. Mencken

04
Jun 15

Tenho um problema com o espaço, com espaços. Com proximidades e lonjuras. Com o aproximar e afastar físicos.

Nas filas, incomoda-me estarem demasiado perto, estarem mesmo ali, não me darem espaço para fazer o que tiver que fazer à vontade. Que se encostem ao balcão na minha vez, invadindo aquele que deveria ser espaço só meu. Que se enfiem pelo tal círculo de espaço pessoal, furando-o e deixando-me encostada a um canto. Detesto.

E não sou de abraços e abracinhos. De vez em quando, consigo dá-los e recebê-los, mas só de vez em quando e, mesmo assim, só se a situação realmente o merecer. Noutras, um encosto, um empurrãozinho de ombro, um apertar de braço, um olho piscado, um sorriso cúmplice – é o máximo que consigo sem me sentir desconfortável, sem criar desconforto nos outros.

Mas, mas… É com enorme e quase cruel facilidade que estendo os braços e me deixo abraçar por quem já me tenha agarrado a outros níveis. Pousar a cabeça naquele espaço entre o pescoço e o ombro, enterrar a cara em pele que nos quer, inspirá-la. Sentir o corpo ceder, não oferecer resistência, senti-lo ali, encostado, envolto, agarrado, abraçado. Aqui, assim, o tal círculo? Não o sinto invadido ou furado. Nem o sinto sequer.
O meu problema com o espaço talvez venha de dentro para fora e não de fora para dentro. Não vive na pele, não é na pele que origina. Vive mais fundo que isso.  

Sim, talvez seja isso.

publicado por Sónia às 14:37

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