“The older I grow, the more I distrust the familiar doctrine that age brings wisdom.” - H.L. Mencken

20
Fev 15

Somos todos muito bons, bonzinhos.
Somos "neutros" para a maldade, soberbos para o bem, possuidores de impressionantes capacidades de perceber a diferença entre os dois. Amigos dos nossos amigos (que são sempre os melhores do mundo), justos para com os inimigos (que nunca têm razão nenhuma), amantes fervorosos (sabemos perfeitamente o que andamos a fazer) e humanos completos (partilhamos histórias de atentados contra a humanidade com lágrima no canto do olho, nem pestanejamos em ofender quem mal trata um animal).
Se assim é, se assim somos, tão bons e bonzinhos, de quem falam os outros quando falam mal dos outros?

publicado por Sónia às 10:54

17
Fev 15

Continuava a acreditar que um dia ouviria: E depois entraste tu e tudo mudou.
Imaginava-se a entrar num sítio qualquer e a mudar o mundo de alguém. Tinha sempre muito cuidado quando entrava nos sítios. Não queria que mudasse o mundo de alguém para pior.
Também acreditava que um dia pudesse ouvir: Entrei e lá estavas tu.
Imaginava-se quieta, sossegada, a fazer algo de rotineiro, banal, sem interesse e, de repente, a sentir que algo teria mudado. Uma qualquer faísca no ar, um arrepio na nuca. Algo que assinalasse o momento em que o mundo teria mudado.
Continuava a acreditar que valia a pena acreditar, imaginar, que tudo quanto pudesse atirar ao Universo pudesse ser visto como um desejo e que, se se portasse bem, teria a sua devida recompensa.
E assim iam passando os dias, repletos de crenças, de fés inabaláveis, de uma paciência e tranquilidade nervosa que só os que realmente acreditam sentem.
Continuava a acreditar. Que mais podia fazer?

publicado por Sónia às 18:14

13
Fev 15

Por duas vezes, no mesmo e-mail, e sem dar conta, disse: Não imaginas.
Cheguei à conclusão que era precisamente esse o problema - a outra pessoa não imagina. 


publicado por Sónia às 12:00

09
Fev 15

Quando não há nada a perder, há tudo a ganhar?
Porque é que só nos mostramos a sério, naquilo que realmente somos, quando não temos nada a perder? Não devia ser ao contrário? Não devíamos mostrar-nos a sério quando temos algo a ganhar? Porque não vimos a questão ao contrário? Porque é que não lutamos a favor de algo e não contra? Porque é que lutamos contra o vazio iminente e nunca a favor de algo sempre repleto? Porque é que só entramos em acção quando encostados à parede, quando nos ameaçam, quando nos metem medo? Porque é que só damos o nosso melhor nestas alturas, nunca evitando que lá se chegue noutras?
Porque é que insistimos em dar razão à máxima que diz que só se dá valor ao que se perde?   
E o valor que se dá ao que se ganha? Não vale nada por comparação?
Quando há tudo a ganhar, porque é que se pensa primeiro no medo de perder? E porque é que esse medo fala mais alto, congelando-nos no lugar, do que o desejo de tudo ter?
Mas porque é que não haveremos de ter tudo? Porque é que não haveremos de ir atrás, sem medo? O que é que temos a perder a não ser o medo do medo em si?
Se não há nada a perder e isso é confortável, então aí é que se perdeu e perde mesmo tudo.  

publicado por Sónia às 12:23

08
Fev 15

Devia haver blogs de silêncio apenas, daqueles silêncios confortáveis, pensativos, que nos dão ar sábio e vivido.

É que eu não consigo escrever quando tenho demasiado para dizer.

publicado por Sónia às 18:15

06
Fev 15

Há muito que perdi o terrível “Medo de Estar Sozinha”. Sim, é um dos muitos medos que assolam o mundo, um que, sei bem como, perdi e nunca mais vi.
Tem as suas vantagens. Tem as suas desvantagens. Tem o seu quê de gestão e equilíbrio.

As vantagens incluem uma regenerada calma e tranquilidade em relação ao que se sabe merecer e querer, não se ficando por algo que não nos encha as medidas como deve ser. As desvantagens incluem o mesmo.
De entre as vantagens, encontramos um mais apurado sentido de observação, de ignorar o acessório, de focar no que realmente interessa. De entre as desvantagens, encontraremos o mesmo.
Outra das vantagens é termos absoluta noção do que sabemos, conseguimos e queremos dar à outra pessoa. Uma das desvantagens refere-se exactamente ao mesmo.
Mas a principal vantagem de não mais se ter o “Medo de Estar Sozinha” é deixar de haver subterfúgios para outros medos. É uma espécie de lavar de cara, de olhos, em que o mundo ou é, ou não é. E, sendo, tem de ser mesmo.
Que mais se pode querer de uma pessoa que não essa pessoa em si, despida de tudo quanto a esconde e afasta do que realmente quer, como quer? Pouco. Muito pouco. E essa capacidade de dar (porque já não se tem medo das consequências de possível rejeição) é, para alguns, dão assustadora que nem receber são capazes. Compreensível.
Quando se vê o que se vê, sabendo que não há distorção, tudo assume uma nitidez avassaladora, quase dolorosa. Mas a beleza que encerra… a pura beleza do que vive por baixo de tanto ruído… Vale tudo.  

publicado por Sónia às 15:01

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